Estará a cotação do ouro viciada?

Estará a cotação do ouro viciada?Será que a cotação do ouro, fixada todos os dias em Londres, gerida por cinco dos maiores bancos europeus, é manipulada?

Uma investigadora portuguesa radicada nos EUA concluiu existirem possibilidades do preço do ouro estar a ser viciado nos últimos dez anos.

Rosa Abrantes-Metz, professora da Universidade Stern, em Nova Iorque, e Albert Metz, analista da agência de notação financeira Moody’s, realizaram um trabalho autónomo em relação às suas instituições e verificaram que na última década é possível perceber uma tendência na fixação dos preços do ouro.

Os resultados deste trabalho que ainda não foi publicado, poderão apontar para uma manipulação e a existência de um conluio entre os agentes que contribuem para a formação do preço do metal amarelo.

Lembre-se que a cotação oficial do euro, é extremamente importante para um conjunto de entidades e profissionais: detentores de minas, indústria de joalharia, bancos centrais, etc.

Já antes, em 2008, Rosa Abrantes-Metz tinha demonstrado a manipulação da taxa Libor.

A economista lusa, formou-se na Universidade Católica e doutorou-se na Universidade de Chicago, sendo pioneira no uso de uma técnica designada por “filtros”, que como referimos, já lhe valeu a demonstração científica da anomalia com a taxa Libor, que originou a investigação das autoridades conducente ao escândalo da manipulação da Libor.

Rosa Abrantes-Metz afirmou à Bloomberg que esta foi uma primeira tentativa de evidenciar uma potencial manipulação e os resultados são preocupantes. Caberá agora à regulação perceber por que é que existe uma tendência na fixação dos preços.

Como se estipula o preço do ouro

A fixação da cotação do ouro é quase um processo centenário, tendo começado a ser realizado em 1919. Passa por ser acertada todos os dias úteis da semana, em dois momentos distintos: 10h e 15h, através de conference-call, pelos representantes dos cinco maiores intermediários de ouro, que ao longo de quase um século, pouco mudaram.

A gestão do preço final é apurada por cinco bancos de abrangência mundial: Deutsche Bank, HSBC, Barclays, Bank of Nova Scotia e Société Générale.

Segundo as regras do The London Gold Market Fixing, cada firma declara o número de barras de ouro que está disposta a vender ou a comprar nesse dia ao preço de referência em uso. A negociação começa e o preço vai variando até que a disponibilidade de barras de ouro caia abaixo das 50.

É assim fixado o preço de referência até novo momento de avaliação.

 

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